"De onde você vem?"

Quando "Ela" e a "Outra" se afastaram, havia um desejo enorme por parte da primeira em vingar-se. Não importava o quanto a "Outra" pedisse perdão e justificasse que elas haviam juntas decidido começar a brincar com a corda. O que valia para "Ela" era o que ela sentia, era o ódio e a repulsa, era a frustração, e era o amor, virado do avesso. As duas não tinham mais como como conversar. Era fato que agora qualquer atitude da "Outra" em reaproximar-se seria inútil. Muitas vezes ela tentava, mas "Ela" havia se transformado numa faca com ponta afiada e o resultado das tentativas da "Outra" eram sangue, sempre.
Mas "Ela" sabia que encontraria a "Outra" em algum momento.
E quando a vida as colocou no mesmo lugar, dias depois, "Ela" viu a oportunidade de utilizar a crueldade que havia crescido dentro de si de forma mais intensa.
Na frente da "Outra", emoldurou uma cena que seria inequecível na vida das duas. Uma marca, um ato que despedaçou a "Outra" e a tirou do controle como nunca antes.
"Ela" havia feito uma nova amiga, e na frente da "Outra", elas brincavam juntas.
Era daí que, posteriormente, a história nasceria em palavras e se faria acessível para outras pessoas. Da vontade de que fosse, ao menos, contada inteira.

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